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domingo, 27 de março de 2011

O discurso religioso e o científico

Gostei deste texto

Por Jotavê, no LNO

O melhor antídoto contra o fundamentalismo é o reconhecimento de que o discurso religioso é de um tipo completamente diverso do discurso científico e, de modo ainda mais geral, do discurso descritivo.

Não é possível discutir problemas científicos (como o evolucionismo) "com base" num texto religioso. "Não é possível", neste contexto, quer dizer - "não faz o menor sentido".

Isso não diminui em nada a importância que o discurso religioso possa ter na vida de uma pessoa. Pelo contrário. Restitui a ele uma dignidade que se perde em aventuras intelectuais irresponsáveis, como parece ser o caso da teoria do "design inteligente". Uma religião não tem absolutamente NADA a dizer a respeito de uma teoria científica, nem a respeito de uma outra religião, e uma teoria científica que seja religiosamente motivada perde, de saída, suas credenciais prima facie.

Fica sob suspeita - e a suspeita geralmente se confirma. Acima de tudo, uma religião não "contradiz" nenhuma outra - seu discurso está desde o início subtraído ao reino da bipolaridade, fora do qual o conceito de "contradição" nem tem como ser aplicado.

O mais correto (por mais que as pessoas religiosas possam achar estranho) seria renunciar completamente ao uso das palavras "verdadeiro" e "falso" no contexto religioso. Religiões não enunciam "verdades" - não, pelo menos, no mesmo sentido em que teorias científicas pretendem enunciá-las.

O "jogo de linguagem" (para utilizar a expressão de Wittgenstein que está por trás das considerações que estou fazendo) é completamente outro. Quando toma consciência disso, a primeira atitude a que um homem religioso se obriga é a de tolerância. Meu discurso não é "verdadeiro" por oposição a outro, supostamente "falso". Não é superior nem inferior em nenhum sentido - a não ser pelo fato de sair da MINHA boca. O que ele pode, isto sim, é ser mais consciente de seus âmbito legítimo de aplicação. O que um homem criticamente religioso vê num outro homem religioso (seja ele capaz da mesma crítica ou não) é sempre o MESMO esforço de se voltar reverencialmente para um ponto de nossa existência que discurso nenhum seria capaz de descrever.

Nenhum homem criticamente religioso sente-se impelido a "discutir" religião, nem muito menos a CONVERTER um outro homem à SUA religião - compreende que isto é completamente IMPOSSÍVEL. Pode, no máximo, ter a esperança completamente passiva de que o outro enxergue o mundo do mesmo modo que ele - como se estivesse diante de um milagre incessante.

Estou convencido de que até mesmo o interesse pela vida "após a morte" acaba definhando e, finalmente, desaparecendo quando vivenciamos a religião sem nenhuma pretensão à verdade.

Para retomar uma célebre sentença de Wittgenstein, a vida após a morte, se existe, não será menos misteriosa do que esta. Quer um mistério realmente poderoso? Olhe em volta. E não fale nada. Não espere, nem peça. Deus é isso. (E, com isto, não pretendo estar enunciando uma "verdade". Se quiser usar uma palavra mais familiar, diga que estou apenas "dando graças".)

...,,,

P.S- Aqui o link, aproveite e leia os comentários
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-discurso-religioso-e-o-cientifico

Vanguarda da pilhagem: roubo e arte no UbuWeb

Nesta noite sonhei que estava fazendo alguma coisa no Luis Nassif Online.
Ao acordar dei uma olhada e achei esta frase no modo aleatório do info, frases vão surgindo
"
Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por essa razão tão poucas pessoas o façam.Henry Ford"


Por raq_uel,  no LNO

Vanguarda da pilhagem: roubo e arte no UbuWeb


UbuWeb

 Roubo, plágio e pilhagem de textos são as principais técnicas ensinadas pelo poeta Kenneth Goldsmith aos alunos das suas oficinas de escrita não criativa na Universidade da Pensilvânia. Seus métodos literários, ele afirma, são os mais adequados a uma época em que a principal arte popular é o arquivamento de dados (em computadores, celulares ou servidores online), e na qual “a pessoa que pode apontar a melhor informação é mais poderosa do que a pessoa que faz a melhor informação”. Descritos por ele próprio como “chatos” e “ilegíveis”, os livros de Goldsmith a rigor não são escritos, mas antes transcritos. “The Weather” (2005) reúne um ano de boletins meteorológicos ouvidos no rádio; “Soliloquy” (2001), tudo que Goldsmith disse durante uma semana; “Day” (2003), uma edição inteira do “New York Times”.
 — Mandei um exemplar para o jornal, na esperança de ser processado, mas não deu certo — diz Goldsmith de Nova York, onde vive. — A questão central com os direitos autorais é o dinheiro. Posso “roubar” o que quiser porque minha poesia não dá lucro.
 O mesmo acontece com a mais espetacular obra arquivística de Goldsmith — o site UbuWeb, uma página criada por ele em 1996 e que hoje reúne o maior acervo de arte de vanguarda na internet. De James Joyce lendo “Finnegans Wake” a um longa-metragem dirigido pelo músico John Cage, o UbuWeb possui um conjunto de milhares de vídeos, áudios e textos que dificilmente podem ser encontrados em outro lugar. A coleção do site cresce rápido porque Goldsmith publica primeiro e resolve depois, na conversa, as reclamações ocasionais.
— Ele acredita que não precisa pagar direitos autorais, e acho que está certo — afirma a crítica literária americana Marjorie Perloff, professora emérita de Stanford. — O site dá acesso grátis e universal a obras que estavam sumidas ou eram itens de colecionador.
Para a crítica de arte da revista “The New Yorker”, Andrea K. Scott, o site é mais do que um arquivo virtual:
— O UbuWeb desafia definições. É muitas coisas para muitas pessoas. É o mapa e o território. É a água e a onda. É uma obra de arte se você disser que é.
John Cage
Não existe no mundo um acervo de arte moderna e contemporânea ao mesmo tempo tão extenso e acessível quanto o do UbuWeb, que nasceu dedicado à poesia concreta e até hoje reúne textos de Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari e José Lino Grünewald, além de músicas de Caetano Veloso. Visitada por pesquisadores e artistas, incluída na bibliografia de cursos universitários, citada no “Guardian” e no “New York Times”, a página ganhou uma importância que contrasta com a maneira um tanto informal como foi construída.
— É um recurso indispensável, mas que tecnicamente infringe muitos, muitos direitos autorais — resume o crítico e historiador Darren Wershler, que prepara um livro sobre o site. — A sobrevivência do UbuWeb pode em boa parte ser atribuída à personalidade de Goldsmith. Ele tem a audácia de continuar adicionando novo material, e o charme para convencer a maioria das pessoas irritadas que escrevem pedindo que ele tire algo do ar.
 Apesar da relativa notoriedade, o site faz o possível para não aparecer muito no radar. Para diminuir problemas com direitos autorais, Goldsmith resolveu excluir o UbuWeb (cujo nome faz referência ao personagem Ubu, das peças do escritor francês Alfred Jarry) do cadastro do Google. Uma busca por “John Cage” no acervo do UbuWeb retorna 191 resultados. Mas quem procurar obras de Cage pelo Google não encontrará nenhum link direto para o UbuWeb. De certa maneira, hoje é preciso saber que o site existe para encontrá-lo, embora ele continue registrado “em todos os buscadores ruins”, como diz Goldsmith, em referência a serviços como Bing, Altavista etc.
Cinco meses atrás, a página foi derrubada por hackers, o que fez com que Goldsmith mudasse seus provedores para o México. A queda foi comemorada numa lista de discussão online por um grupo de cineastas, segundo Goldsmith a “classe” que mais reclama do site:
— Eles são o que mais sofrem com a transição para a internet, passam de uma tela enorme numa sala escura para um quadro pequeno num monitor.


UbuWeb livro

Em geral, no entanto, o site conta com uma boa vontade que não pode ser atribuída apenas à lábia de seu criador. É o que se percebe pela história de um dos itens mais curiosos no acervo do UbuWeb: um documentário sobre os efeitos alucinógenos da mescalina e do haxixe dirigido pelo cineasta Eric Duvivier em colaboração com o poeta francês Henri Michaux. Autor de livros em que registrava suas experiências psicodélicas, Michaux ficou insatisfeito com o resultado final do filme, feito por encomenda de uma empresa farmacêutica. Depois de algumas exibições, o poeta se opôs à circulação da obra. O filme passou décadas desaparecido, até aparecer um dia no UbuWeb. Um representante do legado de Henri Michaux ficou sabendo — mas deixou passar porque gostava do site.
Quando a reputação não basta, Goldsmith faz o possível para “transformar inimigos em amigos”. Uma das pessoas a passar por essa conversão foi Yoko Ono. Os advogados da viúva de John Lennon entraram em contato com o site em 2002, quando Goldsmith botou no ar as dez edições da revista multimídia “Aspen”. Cada número da revista, publicada entre 1965 e 1971, vinha numa caixa com folhetos, cartões, pôsteres e discos. Um desses discos trazia obras experimentais de Lennon e Yoko, como uma faixa em que Lennon tentava criar uma melodia apenas mexendo no botão de volume de um rádio, e uma colaboração em que os dois musicavam notícias de jornal sobre eles mesmos.
— Após algum diálogo, Yoko deu permissão para mantermos os arquivos — diz Goldsmith. — Esse tipo de coisa acontece o tempo todo no Ubu. É uma noção flexível de direito autoral, improvisada, com base na confiança. Todos saem ganhando.
Explorar as obras que estavam desaparecidas, ou tinham uma circulação mínima, até serem recuperadas pelo site é se dar conta de quanto da arte do século XX, em aparência tão próxima e familiar, já caiu numa área de sombra conhecida apenas por especialistas, ou nem isso. Em suas dez edições, a “Aspen” publicou textos de Roland Barthes e Marshall McLuhan, composições de John Cage e Lou Reed, e teve uma de suas caixas criada por Andy Warhol. Mas até aparecer no UbuWeb, a revista só podia ser achada na coleção de um punhado de bibliotecas públicas. Mesmo a obra de artistas canônicos tem lados menos óbvios registrados ali. Conhecido por suas colagens, o alemão Kurt Schwitters aparece no site com uma série de poemas sonoros, entre eles uma sonata fonética em quatro movimentos, ignorados em seu catalogue raisonné, que se dedica apenas à sua obra visual. Algo parecido acontece com os experimentos musicais do pintor Jean Dubuffet, estranhas misturas de jam sessions com recitais de poesia.
— O site mostra que existe toda uma tradição da vanguarda a ser estudada com mais cuidado — diz o dramaturgo Mac Wellman, que deu um curso sobre o UbuWeb no Brooklyn College. — Ali você encontra uma história diferente do que é a cultura moderna.
A noção de “vanguarda” usada no site é elástica e inclui de etnopoesia a obras contemporâneas. Uma seção intitulada “Outsiders” reúne poemas apócrifos colados em orelhões de Nova York no começo dos anos 1990 e panfletos nonsense distribuídos pela cidade que atribuíam a uma organização secreta chamada A Ordem Antiga a responsabilidade pelo bombardeio de Pearl Harbor e pela morte de Bruce Lee, entre outras coisas.
A crítica Marjorie Perloff diz que um dos méritos do site é botar o termo vanguarda mais uma vez em circulação, desafiando as interdições de historiadores e teóricos da arte:
— Todos esses termos, modernismo, vanguarda, pós-modernismo, se baseiam em distinções muito escorregadias. Muitas pessoas se opõem ao termo vanguarda, pensam que soa elitista. Mas é claro que é elitista, sempre foi. O UbuWeb é fundado nessa crença, de que precisamos de um site que não vai se dedicar apenas ao que agrada à média das pessoas.

http://www.advivo.com.br/node/410981

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Lembranças

Hoje pela manhã estive me lembrando do meu amigo que faleceu, vejo agora neste blog, volto por aqui e revejo, por isso acho legal este formato de sítio, esta visita ao passado não seria possível se o blog não fosse assim
Complicado a perda de um amigo, quando era época de carnaval eu corria prá casa dele, agora como ir se ele não estará por perto
Foi quando lembrei-me de uma amiga dele, a Jaqueline, gente muito espontânea ou feliz ou ok
Perto da casa dela tem um rio, o afeto que ele(Hortêncio) sentia pelas pessoas, a amizade,
talvez seja esta prática (a da amizade) a melhor homenagem